Escassez das chuvas
Terras tão áridas
Almas ardentes em secura
Ciclo e rotina que te enfadas

Quero sentir o gotejar
Água que sacie minha sede
Sentir na boca o paladar
Sabedoria que me preenche

Paisagem de um longo deserto
Mas temos que enfrentar
Com Deus ele fica pequeno
E devemos atravessar

Não nos falta o necessário
E temos o bem mais precioso
A vida guardada em relicário
Porção divina do majestoso

Há no interno um manancial
Querendo tua alma transbordar
Uma fonte perpétua celestial
Que deixa o imo salutar

Como a seca do nordeste
Vejo o profundo dos olhares
Almas nuas, sem as vestes
Miragens de plenos mares

Sol escaldante na face
Deixam as testas sisudas
Sorriso, um mero disfarce
Escondem as tristes agruras

Mas há saída para o coração
Nas entrelinhas das rimas
Garoa suave de compreensão
Verdade em forma de poesia

Por Michele Mi