Não há como falar em mar vermelho sem mencionar a história do povo no Egito e Moisés, é o que nos traz a memória. Junto a ela, o motivo que os levaram a clamar por liberdade: a escravidão, à qual eram submetidos em todo o tempo. Sofrimentos, maus tratos, privações, morte, etc. A história todos conhecem, pois fica marcada na memória pelo fato de que havia um mar para transpor, para atravessar, pois lá do outro lado estava a tão almejada liberdade.

Hoje tenho a percepção de que falar do Egito é bem mais que apenas mencionar os fatos narrados de uma história, mas identificá-los em mim. Os anos vividos sob o domínio do faraó (a carne), sentindo dia após dia seus açoites ferindo de morte minh’alma, os lamentos em forma de gemidos expressando as angústias, as dores, os sentimentos nutridos pelo algoz da vida em mim.

Assim como o povo hebreu, deparei-me com um mar a minha frente, que se abriu. Agora, resta a mim transpô-lo e chegar do outro lado, sem olhar para trás, pois não há nada a temer. Suas águas já não podem mais tragar-me, pois quem as segura é o soberano do vento e do mar! Sinto o faraó em meu encalço, persistente, buscando enlaçar-me, enredar-me, fazer-me de sua presa, mas a medida que avanço pelo caminho aberto mar adentro, sinto a liberdade mais e mais perto. A cada passo dado,  um soldado do faraó perde-se em sua missão e submete-se as profundezas das águas, sendo tragado por elas.

Sim, o véu que tapava meus olhos foi quebrado, meu mar vermelho se abriu, eu estou a atravessá-lo e sigo rumo a terra prometida!

 

Por Loir Xavier

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