O que vemos nos passos de uma bailarina? Leveza, leveza, leveza! Mas o que vai em sua consciência? De repente, notamos um peso que faz sua cabeça pender para o lado, mas ela segue firme com altivez, o movimento faz parte da dança.
Olhar sofrido! Será por conta de suas dores? Certamente que sim, não as dores físicas provocadas pelos movimentos em busca da perfeição em seus passos, à essas já acostumou-se, mas as que estão em sua alma. De soslaio, de cima do grande palco, dá uma olhadela para a platéia e o que vê, mesmo sendo breve o olhar, choca, pois encontra a si mesma em cada um. Desolação, prisão, quanta incompreensão! Tudo tão transparente! Rostos diferentes, desconhecidos, mas identificados igualmente por estarem sob o mesmo domínio. Sofrimentos visíveis nos olhares que seguem o compasso de seus passos! Onde encontrar a saída? É a pergunta que não se cala, enquanto dança, dança, dança…Ah! Se tu soubesses que a resposta está em ti, que a resposta brilha em seu imo! Ah! Se tu soubesses que não é preciso sair errante à procurar, basta apenas entregar-se! O som das boas novas paira pelo ar, em cada nota uma novidade, em cada tom um mistério à decifrar! De repente tudo se mostra, torna-se visível, aguça os sentidos, vêm de encontro ao olhar, preenche o coração! E então de súbito, inunda-se de compreensão e percebe que já não há mais nada, somente Ele o senhor, que a completa. Encontrou sua razão, desvendou sua função, seus movimentos exalam alacridade e dança, dança, dança…
O que vemos nos passos desta bailarina? A mesma leveza que encontramos presente em seu olhar!

Por Loir Xavier