Como é bom sentir-se seguro! Sentir que está ancorado em um porto seguro. Quantos vemos ansiosos por tal segurança, sentindo-se desesperançados, a beira do caos, vivendo a angústia de dias e noites intermináveis, com a sensação de que tudo
esteja por um fio, como corda pronta a arrebentar. As consciências lançam toda a sua necessidade por segurança, por abrigo naquilo que o dinheiro, senhor do mundo, pode obter. Cercam-se de cadeados, muros altos, alarmes, cercas elétricas, carros blindados e em mais uma infinidade de outros meios de segurança para ver brotar a sensação de estar em um lugar seguro. Ledo engano, pois estão cheias do que a vivência na carne acarreta e nela não há nenhum sentimento bom, somente os aterrorizantes, que sugam e destroem, mesmo porque o cerne do problema não é somente o que está fora no mundo, mas sim no que está dentro de cada consciência, dominando-a. Ah! Pobres coitados, o ancoradouro seguro, a paz constante, a segurança, a alegria indizível já está em cada um, bastando apenas um abrir de olhos para atravessar a arrebentação que os separa e tudo será calmaria.

Por Loir Xavier