Confesso que achei tal frase intrigante, mas ao mesmo tempo estimulante, me colocou a pensar! Fui então em busca de um significado para ela e em minhas pesquisas me deparei com a dito cuja em algumas campanhas tanto de arrecadação de alimentos quanto de varal literário, onde quem tem põe, quem não tem tira, atribuindo o sentido de beneficiado e beneficiador. Isso me fez lembrar de uma das práticas mais difundidas de todos os tempos, que remota desde os primórdios: o dízimo! Acontece que ao falarmos sobre dízimo, o que vem em mente junto a ele, é a obrigatoriedade institucional e onde é empregado, na construção e edificação de templos suntuosos para a ostentação do Homem e enriquecimento dos mesmos, em nome de Deus. Também, a forma de coerção e opressão gerada e empregada em tal prática, que afirma que Deus não abençoará tal servo se este não cumprir com sua obrigação, o que traz sentimento de culpa e sofrimento ao coração daqueles que não tem condições de fazê-lo.

Tudo isso expõe claramente a falta de conhecimento, discernimento e entendimento do propósito de Deus, que não se pauta na carne, mas tão somente pelo espírito. Portanto, todas as bênçãos advindas Dele são para o crescimento e sustento espiritual da consciência até que esta realize plenamente o propósito para o qual foi criada e alcance a condição de Cristo. “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro…” é uma forma que as instituições encontraram para cobrar o “dízimo” que não passa de um imposto para obter as ditas “bênçãos” de Deus e sobre o qual as consciências foram condicionadas a crer. Como o Homem a tudo inverteu por estar enraizado na carne, a frase “quem tem põe, quem não tem tira” não se cumpre, pois o sentido de suprir as necessidades materiais de outrem foi substituído pelos desejos da riqueza desse mundo!

 

Por Loir Xavier