Íntimo, relativo ao que existe no âmago, na alma, que constitui a essência.

Lugar guardado, muito habitado e pouco visitado! Às vezes uma passadela, um olhar de soslaio! Talvez por achar que lá estava tudo sempre bem arrumado, embora reinasse a baderna (desarrumação total).

Sempre ouvi o ditado: de Deus nada se esconde! De pronto, logo o entendi! Como esconder ou enganar Aquele que perscruta, “esquadrinha até os pensamentos”, que me teceu e formou no ventre de minha mãe”, que conhece profundamente meu ser?

Tocar em meu íntimo!  Examinar… Descobrir… Revelar para mim os cantinhos mais recônditos de meu coração, ação necessária, pois é lá, no interior, que o Senhor visita. Já foi dito que: “o espírito do Homem é a lâmpada do SENHOR, que esquadrinha todo o interior até o mais íntimo do ventre.”

Vivemos em um tempo, em que o que está em voga são as aparências, tentativas frustradas de Homens em fuga de si mesmos, que não mostram exatamente o que tem dentro, em seus interiores, o que realmente são. Incoerência total entre a vida exterior e interior, assemelhando-se aos antigos fariseus, externando uma falsa santidade. É sabido por nós que o nosso relacionamento com Deus deve ser por inteiro, no “pensar, agir, falar”, que nossos atos devem externar e serem condizentes com o que temos no íntimo e não apenas o que sai de nossas bocas, afinal o senhor não se agrada de exterioridades ilusórias, aliás nem vê. Por isso a necessidade de se tocar no íntimo, para a busca e realização da verdadeira transformação da consciência, de modo que o espírito da vida de tudo se agrade e tenha em nós prazer.

Tocar em meu íntimo, não apenas para o fato de conhecer-me, mas principalmente para que se cumpra em mim “a boa, perfeita e agradável vontade do Senhor”, para que de fato o meu relacionamento com Ele seja constante, que seja o meditar do meu coração, que Seu reino seja estabelecido, que do meu íntimo possam fluir rios de vida, que seja terra que emana leite e mel e que possa gerar o fruto da vida eterna!

Por Loir Xavier