Estava escuro aqui dentro, mesmo que a luz estivesse aqui. Meus olhos secos pelo vento, e meus pensamentos com a sensação do despedir. Não que eu aguardasse a partida, mas sabia que este momento viria. O caminhar com a tristeza era minha lida, e a alegria, nem sabia que existia. Dentre os pedaços desta caminhada, alguns lampejos de sorrisos soltos, sem pretensão, vez em quando uma gargalhada, a qual cessava ao ser engolida pelas ondas do meu mar revolto.

Era triste de me ver, de se ver, do que poderia me acontecer, e ainda pior, no final não viver e perder. Isto não podia acontecer-me. Fui buscar-me em meus escombros, quase que não encontrei-me, entre ilusões e sonhos nesta estrada estagnei-me. Não podia deixar-me ali, parada esperando a morte chegar, vendo o trem da vida partir, e o vazio adentrando meu lar. Voltei-me em passos lentos, com a intenção do transformar, entre a guerra contra o tempo e o desejo do libertar. Corri, atravessei minha porta, vi a luz que estava ali, o anjo que trazia-me respostas. Era o fruto da vida, no meio do meu paraíso, tanto tempo esteve aqui e eu o deixei esquecido. Estremeci feito um vulcão diante a grandeza que enxerguei, minha consciência em erupção, a porta do céu encontrei. Estava diante de mim e vi o quão grandiosa sou, o espelho da vida sem fim, a simetria do grande Eu Sou.

 

Patricia Campos

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