Não era uma vez, mas sim desta vez, esta é a minha vez, e ainda não se perfez. Aqui adentrei, percorri todo meu lado obscuro, era meu luto, meus pés em cima do muro. Nada à mente, minha triste semente, não vingava, estava inconsciente, e um tanto inconsistente. Ela sem força, e eu na forca. É tão esdrúxulo tudo isto, quando dizemos que sabemos, concluimos que nada sabemos, mas um fim sabemos que temos, e depois, para onde iremos? Acabou? Não, só acaba quando termina, mas qual é a nossa sina, porque ganhamos a vida? É ganhamos a vida e não podemos perdê-la. Um dia ouvi um anjo cantar e meu peito abriu feito porta, eram as notas do céu a tilintar, trazendo-me tesouro em respostas. Descobri que era preciso estreitar-me para que o amor reinasse e se isto não enxergasse, permaneceria no mesmo impasse. Foi então que conheci o amor, ah! o amor, meus olhos em resplendor, pétalas da minha flor. A cada passo compreendido sinto o abrir das fechaduras, a cada passo sentido, são minhas feridas em cura. A compreensão é a porta que nos abre para o caminho, a vida à nossa volta, arrancando cada espinho, e assim iremos seguindo, este é o nosso destino. Quando pensamos que estamos bem, a tempestade vem, quem é seguro se mantém, mas quem não, vira refém. Minh’alma há de purificar-se enquanto afunila-se meu coração, até o último suspirar, hei de lutar pela salvação. Mesmo que durante a caminhada eu sinta o ardor deste deserto, jamais sairei desta estrada a qual trilho em meu inverso.

Por Patricia C.