Poesia: “Abrigo no deserto”

Abrigou-se calorosamente
No interno um verdadeiro incêndio
Não via miragens, e o pó deitava lentamente
Sentia-se oásis ao mesmo tempo

Acalmava-se mesmo em chamas
O amor tocava-lhe a face
A boca abria-se como quem clama
E com o céu fazia enlace

Eram juras de amor
Em troca, o esvanecer da dor
Rosa do deserto em flor
Assim tecia o seu valor

Sentia o queimar
Dentro do seu próprio lar
Aos olhos trazia o mar
E no peito o desejo de metamorfosear

Desdenhou do cansaço
Pela euforia da chegada
Desenhou cada traço
Das pegadas de sua jornada

O véu cobria-lhe
Apenas para despistar o sol
No meio da imensidão sentia-se
Ser um broto de girassol

Inclinada a luz perpétua
Achou abrigo no deserto
Por ter sua alma singela
O eterno lhe acompanhava de perto

Tão perto que adentrou-a
Fez casa àquele lugar
Refrescou-lhe com fina garoa
Seu imo pôs a banhar

Horas era deserto,
Hora era oásis
Tudo no momento certo
Cada letra, cada frase

O que tinha era garantia
Confiança num caminho honrado
O cálcio escancarando alegria
E o semblante de quem é amado

Por Patricia C.