Não basta compreender-se, mas cumprir e render-se, antes entregar-se a sabedoria, aliar-se a destreza. Ser mar e amar-se, aprofundar-se, ir a favor da maré. Amar é, dedicar-se, estreitar a relação com o céu, é queimar o próprio véu, revisar o revés, levitar os pés. Sem sair do chão voar, cuidar do coração isso é saber amar. Não se ama o próximo se antes não amar a si mesmo, que dirá amar tudo o que é do alto, se dantes não amar o que há em si, dentro, chega a ser falto, vazio no entendimento. Amar é ser minucioso, detalhar cada detalhe, ser de fato cauteloso, ser único em meio a milhares, um coração valioso, pérola encontrada em mares.

Amar é doar-se, sem dó ceder-se, é sentir o sentimento alheio, transferir sua dor, chorar as lágrimas do próximo, é presentear com sua presença e ser de fato presente, estender a mão a quem esmoreça, é ser irmão realmente. Não de sangue, nem de mangue, mas irmão que se sente, que contigo ande. Amar é prezar a vida, é afeiçoar-se da única saída, que não se esconde, mas que era escondida, dentro de cada ponte, no inverso, em cada batida. Amar é ouvir o batucar da luzerna, é o florescer da primavera, é sempre estar à espera, da luminescência que em cada um reverbera. Amar é admirar o propósito da vida, não só na expressão, mas vivida, é não ter medo da própria partida e sentir prazer na despedida. Amar é a essência da compreensão, é a luz que habita no coração, é o passaporte para a imensidão deixando tudo em harmonização.

 

Por Patricia Campos