Memória do passado
Traz a evidência do que é dor
Só conseguiremos apagá-lo
Com uma borracha chamada amor

É ele quem nos acalenta
Feito carícia com plumas
É como rede que aconchega
Em tardes banhadas com a chuva

Nos dá tom
E no peito aumenta o som
Aflora tudo o que é dom
É paz feito sonho bom

Mas é real
E claro como o amanhecer
Faz da alma imortal
Caso ela queira ser

Apague tudo o que é mal
E corrija o seu caminho
O espinho faz corte letal
Deixando-o amargo e sozinho

Que esteja contrito o vosso coração
Porque as lágrimas lavam a alma
Arrastastando toda a ilusão
E na alvorada traz a calma

São tempestades chamando-nos à atenção
De que não podemos nos acomodar
Que no interno há uma vastidão
A qual devemos desbravar

Busque pela memória
Tudo o que lhe corrompeu
Há como mudar sua história
E sair da estrada breu

É preciso transformação
Metamorfosear o ser
Assolar-se, sentir-se vulcão
Que queime até florescer

Até brotar-se em vida
Transformando-se em alma lar
Apague o que fez-lhe ferida
Seja cais do seu próprio mar

Por Patricia C.