Desce ladeira
Arrastando as folhas
O raio do sol permeia
E a transparência vem a tona

Águas do rio discorrem
Por seu percurso natural
Aumentam quando as chuvas caem
Um desenho fenomenal

É melodia suave
Seu deslocar são como notas
O mar de repente invade
Eis então a pororoca

Há união de águas
Um desfecho ornamental
Ponto em que deságua
Água doce mistura em sal

Cresce em onda
Mostrando sua força
És somente a soma
Totalizado em infinitas gotas

Em tudo é assim
Há um começo meio e fim
Mas quem enxerga o fim,
E torna afluente sem fim?

Seria preciso ter precisão
Saber onde será sua foz
Há dois caminhos no coração
Não derrame-se em meio ao atroz

As almas rios se perderam
E por seus olhos desaguam
À correnteza, inverteram
E de seus mares desencontraram

Mas ele foi ao seu encontro
Adentrando o seu mais profundo
Na tentativa de mudar seu plano
Enlaçar-se e retornar-se ao prumo

Porque estás à deriva
Ó águas da eternidade?
Não seguiste a trilha
Que o desemboca em liberdade

Porque não seguistes o fluxo
Natural que o levaria ao mar?
Suas águas derramastes em oculto
Por não aprenderes amar

Patricia C.