Engana-se quem pensa ser escarlata
A menos que falta-lhe amor
A matéria de vermelho borra
Mas o verdadeiro não há cor

É transparente
Visível apenas à quem o sente
Surpreendentemente
Seu batuque é diferente

Como de quem bate à porta
Querendo adentrar os simples
E ao abrir ao fundo toca
Na entrada és marquise

Protege sem distinção
Jamais faz acepção
Assim é o coração
Daquele que é irmão

Uni-se feito água
Ao ser derramada em um todo
Não faz divisão entre almas
Dantes é parte do corpo

Soma…
Por viver a hermenêutica de amar
Ganha…
Quando o amor faz metaforear

Divide o que tem
Sem ver à quem
Subtrai o desdém
Multiplica o bem

Na intenção de colher amores
Arranca as ervas daninhas
Com elas também as dores
Distribuindo alegria

Patricia C.