Nas andanças da vida, discorria apressadamente, sem rumo, sem sina, um tanto quanto inconsequente. Sem culpa, seguia, pois, quando um cego tropeça que culpa ele tem? Não adiantava um balde de água fria para cessar tamanha correria, afinal ela nem sentiria, já que era assim que vivia, gelada, correndo na tentativa de aquecer-se, sonhava, sim ela sonhava que algo pudesse acender-te. Incoerente com si mesma, volúvel, inconstante, mal sabia que sua sentença chegaria a qualquer instante. Via-se nos olhares dispersos, eram espelhos ambulantes, cada qual em seu universo, os quais eram tão distantes. Por isso individualizaram-se, cada um por si e Deus, bem, deixa pra lá, o ditado diria por todos, mas esta história não é assim que se possa contar, variáveis são por seus sonhos. Na realidade não há realidade, neste mundo de desconexos, o delírio apossou das cidades, deixando essa terra infértil. E a tresloucada não enxerga por onde anda, e sai por aí desvairada, no sentido oposto da temperança. Acha normal, se acha normal, afinal, está todo mundo igual. Sem freio, sem tempero, dizem trilhar o caminho do meio, sem fundamento ou contexto, e honestamente parece não haver outro jeito. Perdeu o juízo, mas também não fez questão, e por isto segue esse ritmo, dessa fúnebre canção.

Patricia C.