Andei por cidades vagas
Chorei a tristeza sentida
O que houve com as almas
Vejo-as tão aflitas?

Indago-me!
Quando se encontrarão?
No tempo perdeu-se o orvalho
E no peito há sequidão

Elas não tem mais esperanças
E o amor ficou nas lembranças
Não há mais música, não há mais dança
Em passo lento que a paz não alcança

Devastado, sim devastado!
Olha como encontra o estado
Olhos cansados
E a luz num peito embriagado

Suas vozes em sono
Como quem sonha sem saber o quê
Queriam que fosse um conto
Quiçá nu prêt-a-porter

Não desnudam
Vestes cruas
Um dia o mar negro as inundam
E assim encontrar-se-ão nuas

Estão distantes das cores
Não há como colorir-se
Não exalam como as flores
Não conhecem o arco íris

Como queria poder tirar com a mão
Cada espinho que as cortaram
Escuro é o caminho da perversão
E as vozes dos anjos calaram

Tragam-me um refresco
Para eu dividí-lo com os doentes
O mundo está enfermo
E as almas estão descrentes

Queridas almas, levantem-se
Não deixem o inimigo as derrubarem
Se for preciso, cante
Aumente a voz para o céu as escutarem

Não nascestes perdedor
E só tu poderás alçar vitória
Não desista do seu amor
Busque-o em seu jardim afora

Por Patricia C.