Foi como se tivesse caído de para quedas, sem compreender tantos porquês, quando viu habitava o planeta Terra e tudo o que sabia era querer viver. Não que compreendesse ainda a vida, mas a perspectiva era de encontrá-la, apesar de ouvir de longe o pulsar da sabedoria, jamais imaginava que em si era que ela habitava. E o seu coração puro saiu entre os becos e valados dentre as cidades, na busca de ser encontrado e também da tal felicidade. E com todos que deparava-se indagava seus tantos porquês, mas triste voltava para casa, com a sensação de que nada perfez. Mas houve o dia em que a lucidez veio lhe falar: saia da embriaguez, a luz está a clamar! Estranhou, mas aquilo confirmou-se, algo em si que testificou, e meio que acordou.

Não que estivesse literalmente dormindo, mas dormitando por seus sonhos frios, até então nada lhe fazia sentido, e o primeiro porquê lhe abriu, o sentimento do seu vazio. Era hora de acordar, despertar para sua vida, sua consciência abriu-se feito mar, e as ondas do raciocínio lhe engoliam. Engraçado, nem precisou sair do lugar para ter a sensação mais extraordinária vivida, porque histórias são apenas histórias, mas há de chegar a hora da despedida. E era justamente isto que lhe trazia tantas indagações, como pode no caminho da vida, haver o fim dos corações? Não conformava-se com o ponto final, foi então que escancarou-se, alma espelho portal. Seus pés transformaram-se em candeias e o óleo que ali encontrava-se era a própria vida que lhe permeia. Atravessando os obstáculos, com a lucidez de um gigante guerreiro, desistir é para os fracos, e corajoso é ser forasteiro. Uma grandiosa expectativa há, de chegar em seu eterno lugar, onde ao amor se dedica, onde seu imo é lar.

 

Por Patrícia Campos