Como de costume
Adequava seu disfarce
Opaca, sem lume
No salto, sem classe

Um verdadeiro impasse
Interno, submerso
Seu clichê era uma frase
“Um sorriso amarelo”

Onde o tédio era encoberto
Dissimulando alegria
Máscara de inverno
A única que lhe cabia

Sentia-se fria,
Faminta e vazia
Era assim que se escondia
Uma fantasia por dia

Acomodava
Sem acomodar-se
Um impasse
Nunca adaptava-se
Seu disfarce
Apenas conformava-se

Quando não, vinham seus medos…
Alguém pode descobrir-me!
Quiçá houvesse lampejos
Mas o clarão de si sucumbiu-se

Onde há luz, há verdade
Onde há verdade não há máscara
Onde há máscara há um covarde
Onde há um covarde, não há luta cravada

Ela precisa cair
Ser pisada e esquecida
Da face precisa sair
Até que seja esvanecida

E então virá o amor
Trazendo-lhe seu valor
A centelha e o calor
Fomentando o destemor

Então sairás de cara limpa
E o peito aberto feito livro
Uma feição bem tranquila
Resplandecendo o seu brilho

Patricia C.