Poesia: ” Me ajude a atravessar a rua”

Janela em negrume
E no peito o bater sem parar
No interno mora o lume
O anjo que está a tocar

A sensibilidade voou
E não foi por liberdade
Foi porque ninguém a tocou
Eis a causa da iniquidade

Quiçá fossem receptivos
Sem que houvesse receio
Só assim iluminariam seus caminhos
E não poriam seus pés em devaneio

Não seria o tato
O principal sentido
Aguçariam a visão de fato
Ao invés de seus ouvidos

Os quais ouvem o que lhes convém
Mesmo que há um desvio
E saem sem destino, aquém
Não foram apenas seus olhos que perderam o brilho

Sua tez tão pálida
Numa face sem expressão
Faz de sua terra árida
E triste a sua plantação

Uma cegueira interna
Que fez de sua alma nua
Um pedido que reverbera:
Me ajude a atravessar a rua?

Não somente a rua
Que devemos ajudar atravessar
Mas vestir as almas nuas,
Com vestes que as possam eternizar

Para que transpassem
De planos existenciais
Que a sabedoria o pó faz findar-se
E o olhar brilhe como cristais

Ao socorrer uma alma
Ponha-se em seu lugar
Acolha-a em sua palma
Isto sim é amar

Por Patricia C.