Em meio ao desespero, subiu o clamor ao céu, tudo o que mais espero é o rasgar do véu, para que todos possam ver o amor de forma límpida, até que venha promover sua imagem não corrompida. O medo assombra as almas e elas sentem-se enfraquecidas, não houve lugar para a calma, e jamais serão ressarcidas. Não conseguem dormir, mesmo estando dormentes, quiçá pudessem assumir que em meio a este caos estão descrentes. Está tudo fora do lugar, as crianças estão sem lar, os avarentos jogam comida fora, enquanto pessoas morrem de fome. Os traficantes vendem entorpecentes para camuflar a dor, e seus compradores dizem que é por prazer, mas estes são os medrosos que fogem de suas realidades. Está difícil conviver aqui, mesmo assim tento seguir…

Nem mesmo a miséria tem-se nos pratos, e as almas alimentam-se de sonhos, e quando conseguem dormir, acordam com o grito de suas barrigas roncando. A estação é de inverno, e o mar dos olhos congelou, quem dera pudesse estar no estado líquido para que escorresse e ao menos aliviaria um pouco a dor. Até o sorriso alheio incomoda, porque neste lugar a alegria acabou. Os ditos “bonzinhos” logo pegam suas câmeras para gravar a pobreza de um irmão, maquiam-se para estarem bonitos enquanto lhes oferecem um medíocre pão. O que seria um dever passou a ser matéria de jornais, tal qual a loucura dos Homens, vergonha alheia destes mortais.

Não vejo mais saída para tanta corrupção, e ainda dizem que sou pessimista por mostrar minha indignação. O que pode ser feito diante tantas barbaridades? Sigo aqui com esta dor no meu peito, mas prossigo dizendo a verdade.

 

Por Patricia C.