E vi descer água
Uma cachoeira sem fim
Cada gota cortante feito navalha
E em todas, a delicadeza do jasmim

De uma pureza única
Nítida em cada verso
Era o demonstrar de como vestir a túnica
E o desmontar do pó no inverso

Uma aula de sabedoria
Um banho de amor na alma fria
Em plena noite fez enxergar o dia
Na tentativa de não deixar as terras vazias

Tudo para que a luz fosse contemplada
Enquanto mostrava o caminho da dor
Em cada um há de haver nova alvorada
Mas há de acolher em si o amor

A voz embargada
Transcendia qualquer limitação
Era pequena amostra do quão amargurada
Estava sua alma por faltar na multidão compreensão

Tantos passavam por ali
E não havia quem ficasse
Ao menos que o intuito fosse progredir
Então usavam de sorrisos em disfarces

Mas quem engana um sentimentalista nato
Que transborda sensibilidade?
O qual até num olhar nota
Onde está o coração e sua verdade

Eis o motivo de sua tristeza
Mesmo tendo alegria em seu gigante universo
Queria dividir a todos tamanha riqueza
Mas quem há de querer decifrar o complexo?

Vem e vão
Ao fundo o mesmo refrão
Ao desdenhador não há perdão
É somente mais um em vão

Satisfação foi o que faltou
Tanto de quem falou quanto de quem ouviu
Quem falou, falou por amor,
Mas quem ouviu por falta de amor partiu

Não há o que ser feito
Seria o trocar do sujeito
Nos olhos o mar que escorre do peito
E atuação do desespero

Por Patricia Campos