Não bastava a escuridão, mas ali habitava o silêncio, o medo, a angústia, só não havia o tempo e o lugar de desculpas. Estava dentro do infinito, sem sentido, um breu incontido, fim da linha, sem trilho. Era o fim do seu túnel, sem luz, sem fim, um abismo obscuro, sentiu-se pobre de si.

Não há pés, não há chão, sem revés, na profunda escuridão. Lugar de eterna depressão, fundo, inexplorado, despenhadeiro, autodestruição, deixou-lhe completamente escarpado. Precipitou-se em precipício, afogou-se no mar de hospício. Não fora feitiço, nem foi falta de aviso. Nunca apercebeu-se quando a intuição lhe falou? Era a vida que muitas vezes tentou dizer-lhe, porém a calou. Olha agora o que lhe restou, uma infinita vala de dor. Mar amargo, seu abissal explorado, o que tens espelhado, é seu oceano raso. Nadou e morreu no pó, andou e caiu sem dó. Seu desejo era ter garganta para sentir este nó. Soluços sem som, suas cores sem tom. Assombrada terra, aterrorizada em cela, agora acabou a guerra, não verás mais a primavera. Seu inverno eternizou, até sua lua apagou, e tudo o que lhe sobrou foram as lembranças de quem um dia lhe amou.

Por Patrícia Campos