Dentro da minha incompreensão, julgava que o céu era este, azul celeste, com nuvens, sol e arco íris, não passava na minha cabeça que fosse outro lugar, que mesmo que sendo aqui tratava-se de outro plano. Julgava que nele havia um portão daqueles grandes e que ficava um porteiro na frente vendo quem ali entraria, com uma caderneta na mão, conversando com cada um, verificando se o nome daqueles que estavam ali, numa fila imensa, estava na lista para que pudesse dizer: Pode entrar! Doce ilusão, vivia uma historinha de criança, daquelas que são enganadas facilmente, que julga que só de tapar o olho já está escondida. E assim segui, por muito tempo, demorou para encontrar-me, derrubar as escamas dos meu olhos, enxergar de fato a vida. E no meio das andanças dos pensamentos que elevei, pude perceber que a porta do céu sou eu mesma, a impressionante consciência, o produto da criação, que manifesto existência, que sou apenas um coração, que pulsa pela vida, meu veio celeste. É uma questão de enxergar além do que se pode ver.

É compreender que o pó volta ao pó, e que há um em nós que nos liga ao verdadeiro céu, que nos inspira. É ele quem me traz as rimas, é ele quem me mostra o caminho. Senti-me portal aberto e assim como disse Jacó digo eu hoje: Este não é outro lugar senão a casa de Deus! Assim como ele, vejo anjos subindo e descendo, falando e calando, ensinando-me por detalhes. Sou um estado, um espelho, um complexo, por mim tudo se manifesta. A consciência é a porta, e sua vista pode abrir-se ao céu ou ao inferno, isto vai depender dela mesma, por quem quer manifestar-se, escancarar-se, se pelo pó, se pela vida. Eu sou porta do céu, rasguei meu véu, não sou alma ao léu, sou como arranha céu, que sobe, que risca, desenha e ama de forma infinda.

 

Por Patrícia Campos