Remiram o tempo
Dividiram-no a troco de nada
Do bem ficaram isento
Mantiveram-se portas fechadas

Atrofiaram suas asas
Não poderão mais voar
Suas casas alambradas
Suas tendas não irão ampliar

Cercaram-se da ignorância
Em corridas desenfrearam-se
O que será que é temperança?
Em soberba auto afirmaram-se

Quem consegue parar
Um minuto para pensar?
Escorrem as gotas do mar
Sem ao menos disfarçar

O sofrer parece comum
E a paz ninguém mais a encontrou
Neste meio sou apenas mais um
Mas a verdade meu imo espelhou

E saiu a refletir
Pelos becos adormecidos
Vez em quando um ou outro parece sentir
Mas logo volta ao estado entorpecido

Ninguém para
Seguem em falha
Meu coração dispara
E o amor parece navalha

Que corta ao proferir a veracidade
Deixando mágoas pela falta de amor
Como queria que voltassem poder ter asas
E voassem feito um condor

Alçando a altitude do lume
Onde os pensamentos voam com a liberdade
Onde não se resumem
Mas ampliam-se pela verdade

E a amam
Com o amor mais puro que possa existir
E não apenas sonham
Mas sentem e fazem sentir

Por Patricia C.