Aparentemente normal, tudo em seu devido lugar, não existe bola de cristal, onde pudesse o futuro encontrar. Quem imaginou que o universo ficaria invertido, onde o coração não se importou em adentrar uma eternidade no vazio? É tão inexplicável o fato da consciência não reconhecer-se, chega ser inacreditável, como aurora sem amanhecer. Esdrúxulo tal acontecimento, mesmo o cair do pó de súbito nada a faz reverter deste caminho do esquecimento. O dia nasce, a chuva cai, as flores o jardim invade e o tempo que um dia esvai. Onde há vida tudo é natural, o pássaro e sua cantoria, é o obediente pardal. A semente que padece, brota e colore, o lírio que engrandece, seca e um dia morre. A floresta que impera, a fotossíntese, a primavera. Tudo de era em era e a luz que reverbera. Eis o ciclo da Terra, mas o imo perdeu a guerra. O externo é contemplado pelo tom orquestrado, divinamente cuidado em um mundo descontrolado. E a consciência sem ciência, sem sabedoria ou destreza, come o que se põe à mesa, obedecendo a desobediência. Um universo invertido, dentro de um coração pervertido, onde o destruir-se é um vício, e o temor em desequilíbrio. Sem tino, segue a sina sem trilho, e o que era para ser conhecido, mortificado ficou sem ser visto. Deslocado, um propósito acabado, um universo sem cor por faltar-lhes o amor.

Por Patrícia Campos