Embargou sua voz
Reprimiu-se internamente
Deu seus nós
Aquietou sua mente

Calou as vozes do mundo
Pairou e ficou
De repente um clamar em seu profundo
E tudo que era se findou

Não ouvia os grilos
O cair da chuva no chão
Alma em sigilo
Deixou pingar em seu coração

A fala amarga desce reprimida
Ouviu por muito tempo baboseiras
E sua alma cheia de vida
Foi banhar-se na cachoeira

O céu clamou
E tudo em instantes teve que esperar
Quando chama a voz do amor
Nada entrará no lugar

É a lei do caminho
A ordem de seus passos
Entregar-se por completo sem espinhos
Deixar guiar seus laços

Vai a frente e a minha retaguarda
Deixa seus rastros em minha alma
Sigo em sua estrada
Sou viajante perene em busca da alva

Aos poucos acontece a troca
O bem e o mal lutam entre si
Uma hora baterá na porta
Quem abrirá para ti?

Ainda há tempo
Hoje que há guerra
Aprenda com o vento
Que se libertará destas trevas

Por Luiza Campos