De flor em flor beija o amor, suas pétalas abraçam e dão seu carinho, néctar que tanto busca encontra-se em seu brotar, um ser solitário, mas mesmo assim nunca está sozinho. Voa com delicadeza, sua graça nos acaricia, como plumagem da realeza, é como pena pairando em sabedoria. Beija-flor, venha e beije minha rosa, dê a mim sua pureza, venha e me ensine em prosa, como ser flor para que me queira. Abra meu caminho, e abrace-me como as pétalas lhe abraça, ensine-me a tirar meus espinhos, e a colorir minha tela em brasa. Venha a mim beija-flor, encontrando-me nas profundezas das águas, o mar esconde a dor, mas tu pode me curar com suas palavras. Passarinho em solo mundano, sua graça é celestial, habita em meu peito por enquanto, até que cante o som orquestral, e lhe chame, chame para longe, porém se agraciar de minha flor poderei subir para além deste monte. Uma aliança eterna, infinda, inquebrável, dança em arco-íris como luzerna inseparável. Sou flor sem raízes, viajando em meu espelho, olhos de lince, buscando ser inteiro.

Por Luiza Campos