Você é tão desprezível, como pode ser assim? Sua gola mal arrumada, sua roupa tão desleixada, seu cabelo bagunçado, sua fala apressada. Seus passos tortos, seu toque sem destreza, como pode, como pode? Ora, não, o que é isto? Um espelho. Sim, é fácil ver o erro alheio, as brechas dos outros, os sentimentos sem freios e os laços frouxos, mas quem se conhece de verdade? Acusou o tempo todo seu próximo e no fim não passava de si mesma. É difícil aceitar seus espinhos, é difícil se ajoelhar e se humilhar como ser, eu sei, mas enquanto não bater no peito e mostrar quem é não se entenderá de verdade. Digo isso principalmente para mim, eu que estou escrevendo tenho responsabilidade em minha caneta, e o que falo devo e faço em mim.

É difícil, é uma fase de autoconhecimento, e como doar-se para vida se ao menos você mesma sabe o que está lhe oferecendo? Por isso o buscar se conhecer, saber onde está suas raízes, onde fundou sua base, onde alinhou sua casa, o que fez para si. É importante saber e aceitar, e permitir-se a mudança, pois, do que adianta ver todo seu pecado e não mudar? Conhecerei minha rosa, das pétalas aos espinhos, de meu corpo às minhas raízes, e assim será, e assim faço, para descobrir-me. O se conhecer é uma jornada e que precisa ser iniciada, se olhe no espelho e veja, se coloque na berlinda e se acuse, se coloque em frente ao juiz e faça jus ao seu nome. Buscar me conhecer, junto com a vida, uma jornada transcendental que transparecerá da cabeça aos pés e jorrará em abundância sobre a cor de meus olhos.

Por Luiza Campos