Soou pela névoa
A perda e sua dor
Flor sem pétala
Lágrimas sem cor

Campo só
Só ao relento
Cultivou pó
Perdeu-se com o tempo

Espelho sem leito
Reflexo embaçado
Chorou o amargor do peito
Raízes sem laços

Meu pranto não descreveria
Ferimentos refletidos sob o oceano
Céu sem estrelas da vida
Sabedoria sem canto

O pincel desenhou em tela
A verdade de sua vereda sem fim
O rabiscar de falas tão belas
Tornaram-se em gotas de fel em mim

Beleza perdida nas ondas do coração
Mergulhou-se e se foi sem despedir
Infeliz em sua própria conclusão
Padeceu os vales, as florestas e seu porvir

A benevolência se encontra nas profundezas
A benignidade perdeu a vontade de ser
O mundo trouxe a tristeza
Pois plantam o que não deveriam colher

A moral desta passagem resumiria em um único bem
Murcharam os campos de seu inverso
Desencontrou-se na palavra além
Andou muito para se deparar com tristes versos

Escreva luz e insista
Que tudo reluzirá
Perca-a de vista
Que nunca mais se encontrará

Por Luiza Campos