Um suspiro para o infinito
Um pedido de socorro
Sua voz embargou-se, esquecido
Saiu, correu, quis voar, além deste morro

Asas tão machucadas
Qual o sentido? Ouviu
Tilintou correntes estralhaçadas
Pesou, chorou, não viu

Agora seus pés não conseguem parar
Seus atos já tão sem rumo
Busca o que não sabe expressar
Apenas a saída deste mundo

Sorriu, pela primeira vez
Sorriu, aconchegou-se sobre o bem
Infelizmente, acabou sua liberdade que não se fez
Perdeu-se, aprisionou-se, foi puxada para o que não tem

Pranteou, se perguntou, questionou
Por que? Por que não posso, não consigo?
Olhos de vidro já vermelhos, não se olhou
Camadas e mais camadas sem sentido

Esmagada, atordoada
Viu as estrelas, seu devido lugar, pensou
Viu-se enjoada, enojada
Já quis, já viveu, mas nunca amou

A todo tempo, segura uma chave
Um diamante dado desde sua luz
Não vê sentido, porém é sua outra face
Estranho, não percebe, não reluz

Agora, já levantada, pôs-se a frente
Suas tentativas falhas lhe ensinara alguma coisa
Deu sinal de partida para sua própria mente
Porém, mente, sua coragem sem força

Saiu, correu, quis voar, além deste vazio
Sorriu, pela segunda vez
Pesou, chorou, não viu
Sentiu a dor que não se desfez

Novamente, repetidamente, sugou-se para o núcleo de seus problemas
Não viu, não entende, não vê
Bateu asas sem tê-las, buscou lenha
Não sabe o porquê, o que é, o que quer ter

Só, apenas, quer se libertar
A loucura das correntes
O desejo de amar
A angústia de não saber, amordaça instintivamente

Não desistiu, não resistiu
O mistério, o silêncio, efêmero, disse
Correu, como já havia feito sob azul anil
Não desiste, quer sua graça, insiste

Bateu asas, sentiu seu nascimento
Brotou as pétalas da rosa mais bela
Coloriu com seu discernimento
E sorriu, desta vez, pintou em tela

Correu, correu, parou
Olhou para seus braços, pernas, cabeça, pés
Acorrentada, enlaçada, pensou
Como voar sem liberdade? Deu ré

A chave estando em suas mãos
Como pôde? Como não percebeu?
Plantada na essência de seu coração
Revirou seu caminho, dos egípcios aos judeus

Pranteou, desta vez por sua imensa alegria
Tão tola, tão vazia, abriu a cela de sua alma
Suspirou pelo cansaço, alçou vôo com a vida
Finalmente, depois de tantas tentativas, encontrou a calma

Voou, para longe de tantos ardores
Libertou-se das trevas, de sua escuridão
Voou, sem ver para onde
Libertou-se de seu próprio coração

Por Luiza Campos