As gotas são passageiras
Escorregam como plumas ao vento
Seus pés encontram a beira
O enlaço de seu tempo

É como se soubesse
Quanto mais perto chegava
Seu peito estremece
A brisa que não mais escapara

O desconhecido é quase uma penumbra
Porém, sem luz
Como pode ser tão profunda
A voz que irradia e reluz?

O transparecer dos cristais do céu
Transbordam em seu olhar
A eternidade cumprimenta o véu
Mas passa longe para não se afogar

Com um pouco de tempo os ponteiros se perdem
As horas se vão
Os que eram não se remetem
Paralisou de fato seu coração

Sua eternidade onde vai passar?
Qual foi o fim de sua estrada?
Suas escolhas deram seu lar
Divina ou arruinada

E seus fios brancos e desleixados
Sua pele enrugada deixada para trás
O que sempre esteve ao seu lado
Hoje, hoje já não está mais

A brisa assoprou e levou
Levou sua casa, sua família, levou a matéria
A consciência que não se encaixou
Paira em si, aérea

Já os passos traçados pelos justos
Encontram a felicidade em tudo que se esqueceu
A morte já havia sido feita neste mundo
E a luz de seu peito eternizou-se com Deus

A beleza da poesia está nas entrelinhas
Porém, todo cuidado é pouco
És belo todo canto desta vida
Mas és sábio ou se juntou com os loucos?

Por Luiza Campos