O que se murmura não se ouve, mas sente, as falas corrompidas corroem o peito, enfraquece seus passos, desfoca a visão. Muito se murmura pelo mundo afora, seja bem ou mal, se bem que tudo faz mal a alma que não seja a vida e seus sinônimos. Dá até dor no coração de tanta coisa falada, porém, incompreendida, tantas vozes brigando pela razão e a única voz coerente em silêncio, a Terra calou a paz e abraçaram os murmúrios destes vales sombrios. É passado de geração em geração, deixados nos silêncios da brisa, e quando vê é apenas mais uma geração que se perdeu, propagando assim mais murmurações cegas. O que é claro não se murmura, se expõe todos os lados, o caminho é aberto, sem segredos ou falsas intenções, mas todos preferem viver em farsas, pois escondem as trevas de suas almas, e o que falam não sustentam porque a verdade não é dita.

Quiçá fosse mais verdadeiro consigo mesmo, mas isso não é feito, mente até para o espelho, mesmo sabendo das mágoas em seu oceano, e a dor de murmurar é a única coisa que pode fazer por si, pois tem medo de se expor a luz. A vida brilha em meu peito, e não há nada para esconder, vem a mim sua graça, e a verdade habita em minhas cordas vocais, não há música sem tê-la me dando as mãos, e não há passo que dou sem teu aconselhamento. Deixe as murmurações para quem tem o que esconder e fale abertamente para aqueles que querem ver, há buracos de tropeço em todo lugar, porém só a vida pode lhe guiar neste caminho.

 

Por Luiza Campos