O tom esvaneceu nas trevas
Não o escuta, pois não o compreende
Escureceu sua terra
Calou os devaneios de sua mente

A tela tão sem cor
Perdeu-se nos vales do breu
O estado que se desenhou
Porém desencontrou-se dos olhos teus

Complicado será lhe dizer
Toda gota se fez carne
Traçou ao chover
Um laço que se envolveu sem parte

Suas cores repetidamente escolhidas
E a ternura sem destreza não se fez
O que não vês se desencontrou nas ruínas
E o coração não desejou sua tez

Cegou-se para o que é bom
Não sentiu a vida lhe tocar
Distanciou-se de seu dom
E nunca mais pôs-se a declamar

A matéria que se via corroía
Como erva daninha em plantação
Enquanto vinha sem sabedoria
A luz aguardava sua libertação

Desenhe sua essência em papel
E contorne seu oceano em infinidade
O sol clareia o céu
E quem clareia seu universo é a verdade

Deixar a luz guiar
Um passo de cada vez para o coração
Não há como enxergar
Se não libertar-se de toda escuridão

Por Luiza Campos