Tudo o que sabe desfaz como poeira, estátua de areia, tempestade assoprou, gritou a ampulheta. Pesados olhos na escuridão, anseia pelo sono profundo, o medo ensurdecedor, a incerteza, traços tortos, falso mundo. Insaciável desejo sem fundo, precipício eterno, quanto mais cai, mais quer encontrar o chão, mas onde está que não chega? Pobre lobo perdido, hoje é dia de uivar para lua, admira sua beleza, mas nunca será tua, um dia ela cairá como a chuva e dividirá o planeta, duas eternidades que hoje fez-se consciente, clama pela paz, porém banha-se com suas lágrimas. Passageiro tom que se vai, conta sua história em música, até fechar seus passos e quebrantar sem base. O que fará com tanto? O que fará com tão pouco? Sua sede por sabedoria tão mal cumprida, não há indícios de fim, a verdade tão exposta para a vida, mas a mentira dói menos. O peito pede por descanso, clama pela calmaria nunca alcançada, enquanto o vazio lhe incomoda tão profundamente que não sabe qual o bálsamo para suas feridas, escute o céu e abrigue a chuva, deixe-a banhar sua mente devastada. Entendo sua dor, sua insegurança pelo amanhã, seu medo de não ver o sol, de não sentir o vento, de perder-se na maré alta e não saber voltar no tempo. Entendo sua amargura, sua luta e seus falsos ideais, mas já não é hora de acordar deste sono e levantar do seu leito? Diga-me se não estou certa, para quê serviu lutar tanto para encontrar apenas mais respostas sobre o que tem fim? Busque a verdade e a luz, por mais que destrua sua base limitada e seu conceito de abrigo, que pare sua queda e sua luta por querer preencher-se com o nada, abrirá seus olhos e guiará por onde deverá andar, uma nova sabedoria se apresenta e dessa vez não é efêmera. Alívio! Foi o que sentiu.

 

Por Luiza Campos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.