Venha a mim e me questione
Seja meu e eu serei tua
Se aconchegue e sonda-me
Transbordando sobre minha alma nua

Tão pouco ouvi a voz da terra
Quanto mais acompanha-la em suas ações
A vida sempre sobressaiu sobre as trevas
Demonstrando-se aos puros corações

Aos poucos os passos afloram
Como as flores na primavera
As estações brotam
E o tempo se faz quimera

Os traços se fazem no universo
Sua personalidade e sentimentos
Soldados em cada verso
Em cada estrofe, cada pensamento

Nada passa invisível
Tudo se faz plausível em seu olhar
Mesmo o desconhecido
É descoberto em seu mar

A luz resplandece na escuridão
E todas as suas obras são manifestas
Não há esconderijo para o coração
Sua nudez transparece em fala de poeta

Sondar-me, averiguar-me
Querer saber e ser
Perguntar-me, questionar-me
Tudo para em mim resplandecer

Sua fala é como flecha para a alma
Que atravessa cada intenção
Mas quando pura suas águas
Revela-se internamente para toda imensidão

Saber quem sou
Essencial
Colocar à tona o que se passou
Primordial

Tudo se revela em seu tempo
Até entregar-se a liberdade
Doa-se ao vento
E tuas asas se abrirão pela eternidade

Por Luiza Campos ?