Eu vivi a minha história e conheço cada ponto em que passei, sempre soube o que tinha em mente e não deixei escapar nada. Quando criança vi uma morte que me impressionou, um homem matando outro à minha frente, aquilo não me causou nenhum choque, mas sim muita curiosidade, pois queria saber para onde aquele homem que morreu tinha ido depois da sua morte, eu via o corpo dele estendido no chão, mas o interessante é que eu tinha a sensação de que ele não estava mais ali, sabia que alguma coisa saiu dele e só deixou aquela carcaça no chão.

Foi então que comecei a me perguntar: para onde nós vamos depois da morte? Comecei indagando a minha mãe, que simplesmente me disse que nós iríamos para o céu ou para os infernos, mas queria saber mais, o que era preciso fazer para ir para o céu ou para os infernos. Minha mãe, é claro, não soube me responder, mas me induziu ir à igreja, porque lá, disse ela, obteria esta resposta. A minha curiosidade me levou a igreja, fui em uma e ninguém me falou nada, fui em outra e a mesma coisa. Adquiri logo uma enciclopédia que falava das grandes religiões, lia uma, lia outra, só doutrinas descabidas, só o dízimo era um ponto em comum, mas de resto tudo diferente. Elas dizem que a salvação de Deus está ligada a uma ou a outra coisa, mas vi que era tudo absurdo, como o não comer a carne do porco, o não vestir uma calça comprida, o não usar camiseta, o não poder beber, ou usar o véu, o não poder cortar o cabelo, mas os dez por cento do dízimo todas falavam a mesma coisa, esse é o dinheiro sagrado de Deus.

Não! Eu dizia, não pode haver uma salvação comprada, pois o dinheiro é uma criação do Homem e não de Deus, como que Ele poderia financiar uma salvação lá no céu? Deixei de ir as igrejas, pois quanto mais eu ia, mais me desiludia. Fui então atrás dos filósofos, de Homens mais bem preparados, da elite da sociedade, mas descobri que o peido de um burro com cólicas intestinais diz mais que eles. Eles estão preocupados com esta vida aqui do mundo, falam contra luxúria, contra riqueza, sendo que eles mesmos a buscam vendendo seus livros de enganos. Resolvi então ir atrás dos pensadores, mas vi que o maior deles disse que não sabia de nada, apelei então para a ciência humana, mas vi que ela só estuda este plano material e não fala de um plano superior.

Então, resolvi me abandonar, deixar a vida me levar, mas dentro do meu coração eu dizia: se tenho um Criador não é possível que Ele não saiba que quero realizar a sua vontade, o meu coração era voltado para aquilo, não buscava a Deus para barganhar nada, mas queria realmente saber o porquê Ele me criou, e foi praticando este princípio sem saber, que a sabedoria veio à tona, como bolas de ar debaixo d’água, tudo começou a saltar aos meus olhos e hoje compreendo perfeitamente qual é a razão da vida e esta é a minha história real e verdadeira.

Por O teu espírito diz