Refém da liberdade

Desde o cordão umbilical aos grilhões invisíveis, há denotação de um prisioneiro real em diversas situações extremamente sensíveis. O pó cortado do pó, sem dó emite o ruído do medo, até remete uma tal liberdade, porém era apenas do cativo o começo. Haveria muito a vir, a prisão da competitividade, sem previsão de fim, a comparação parecendo legitimidade, tudo fora de contexto, enfim. Triste enredo, dor no peito. Quem tem este direito, de querer que o outro seja perfeito? Não que não deva ser, mas que seja natural, sem forçar seu ser, mas ser no intelectual. Então jorram-se palavras direcionando uma vida oca, no pescoço a navalha e no coração a forca. Pesam os pés, incomodam os ouvidos o arrastar das correntes, a rotina que o põe em pé e as preocupações são frequentes. Entrou num emaranhado, feito novelo sem fio da meada, deixou-se aprisionado, sua alma trancafiada.

Aos olhos do mundo estava de vento em popa, um vulnerável rumo, um dia chegará sua conta. Porque é assim e assim que é, uma hora chega ao fim e não terá como dar ré.

E o coração sente que deveria ter gritado, olhado nos olhos de quem o fez deprimente e dizer: não quero e não serei seu espelho fracassado! Vou atrás da minha liberdade, não precisa me acompanhar, ao meu lado quero só quem é de verdade, os que podem ensinar-me a voar. Que tiram-me os fardos, que jogam a libertinagem longe, que sirvam-me de calço que em meu paraíso sejam fonte, trazendo-me a água pura, que matam a sede do meu libertar, que mesmo com dor pela verdade mostram-me a cura e pelo amor ensinam-me a transformar. Eu só quero ser refém da liberdade e poder voar com a sabedoria, minhas asas da alacridade, minha carta de alforria.

 

Patricia Campos

Quebrantado e contrito

É tempo de guerra, mesmo assim o amor está levantado, eis que clamei por minha terra, meus pés desviam deste campo minado. Lá fora só ouço o sussurro do vento, nada por aqui mais me interte, continuo aguardando no tempo, sei que o amor não fere. Compreendo cada passo, enxergo cada ação, o assoviar do meu anjo faz-me dançar no compasso, são tantos detalhes, mas sei que pego a visão. Meu coração quebrantado e contrito bradou sutilmente, não foi algo ensaiado ou fingido, mas naturalmente, como deve ser, nada forçado, e ao anoitecer, veio em sonho atrelado. Fez-me acordar numa noite, pôs-me a pensar, mostrou-me novo horizonte, a saída deste amargo mar.

É difícil ser compreendido dentro do caminho que só você anda, mas sou eu quem devo passar. Uma palavra mal interpretada muda todo o sentido e por vezes cansa, mas meus pés jamais vão parar de andar. Um guerreiro também chora, e isto não o faz covarde, e quando em oculto ora, Deus lhe envia o selo da liberdade. É impressionante como vem a resposta daquilo que tu pedes a Deus, àquele que atenciosamente lhe abre a porta, com todo carinho ensina a ser Seu.

Pedi e Ele atendeu-me, desenhou Sua estratégia para derrubar os inimigos que há em mim e isto fortaleceu-me. A luta continua, aprendi a me defender, houve novo planejamento em minha busca, agora é pôr em prática e reverter. Percebi que não é do meu jeito nem no meu tempo, mas a ordem é persistir e aguardar até que a voz do céu ecoe no templo. A obediência traz a paz e o compreender é fundamental, quando se é veraz, torna-se transcendental.

 

Patricia Campos

Testemunhar

Temos que testemunhar a toda gente sobre o nosso Deus, prosseguir em conhecê-lo e fazê-lo conhecido! Temos que testemunhar que o senhor justiça nossa nos mostrou Sua verdade, livrando nossos olhos da cegueira que não nos permitia enxergar o lume. Testemunhar com o som de nossa voz, com o abrir de nossos lábios, com a direção em que caminham nossos pés, com a beleza de uma consciência entregue ao Seu conduzir. Testemunhar aos povos que ele é vida, alacridade, benignidade. Que nele há completude, mansidão e paz. E que todos quantos nos vêem possam testificá-lo em nós. Que a beleza de Cristo manifeste em cada uma de nossas consciências para que possamos manifestá-lo ao mundo!

Por Loir Xavier

Nova identidade

Sou conhecida pelo nome que me deram ao nascer nesse lugar e pelo qual atendo ao ouvi-lo. Sou conhecida pelas habilidades que desenvolvi, pela formação acadêmica, pela profissão em que atuei ao longo do tempo em que passo por aqui. Sou conhecida por ser filha, esposa, mãe, avó, irmã, tia, enfim pelos graus de parentescos carnais. Várias são as características que me definem na existência carnal, mas tudo isso passará, acabará e “restará apenas um retrato em uma estante ou talvez nem isso”.
Mas qual a importância de tudo? Nenhuma, pois o que tenho de valor não está fora, no externo que veem, mas dentro de mim, no que me vivifica, no meu senhor da vida. E é por ele que minha consciência quer ser reconhecida e desejada. É com ele que almejo seguir para a minha eterna morada. Hoje, aqui nesse tempo quero me limpar, me tornar pura em minha consciência para que ele resplandeça em mim, para que minha nova identidade torne-se aparente, sem precisar de palavras ou de provas. Que ele reine em mim! Que seja tudo e sobre todas as coisas, para que minha consciência veja e seja parte de Sua glória!

Por Loir Xavier

Deus canta a sua salvação

Tudo está se cumprindo exatamente como foi dito pela boca de Deus. A profecia do verdadeiro evangelho de Cristo está sendo falada aos povos, a cada dia a verdade se alastra no mundo e de uma forma linda de se ver e sentir. Os caminhos Deus estão abrindo e os seus anjos caminhando nele cantando, rindo e dançando, estão indo as cidades com o coração cheio da vida infinda levar a palavra do céu que salta da raiz do âmago do Senhor. Deus canta a sua salvação em tons retos e sensíveis, os ouvidos se agradam ao sentir a pureza da melodia, os corações sentem-se abraçados e acolhidos pelo som que ecoa paz, serenidade e calma, os olhares perdidos por um instante se encontram e levitam na leveza das canções, os versos se atraem deixando a poesia mais bela e as notas se unem em uma só canção cantando o refrão que adorna o coração. O evangelho do reino está correndo como as águas dos rios, quem a beber matará a sua sede e afogará todos os enganos da alma. Deus é Deus e Ele faz cumprir tudo que da sua boca saiu, por um lado é triste ver todos se desmoronando, mas pelo outro é sensacional ver a mão de Deus trabalhando lindamente!

 

Por Maria Lúcia

Prova viva

Mesmo quando não se tem mais esperança existe a força da vida que faz com que se eleve a expectativa, como que uma miúda faísca em busca de tornar-se labareda. Por vezes nos sentimos sem ânimo, desfalecidos, com gosto de derrota à boca, mas no fundo no fundo o desejo é do transformar, mudar de rumo de estado interno, mesmo não sabendo que caminho pegar. Tateei feito cega num caminho perdido, longe de mim mesma, não me procurava, nem queria me encontrar, andava a noite nesta estrada sem previsão de voltar. Tanta insignificância, ignorância nem lembrava-me mais dos meus dias de infância, doces, ah! Tempos doces! Estado de pureza, sem fraqueza, sem medo em confiança. Sei que não foi assim com todos, mas foi assim comigo. Cresci, mas minha consciência ficou lá trás, a desenvoltura não foi legal. Os tempos passaram e eu permaneci por muito tempo na minha juventude amarga, em minha solitária, mesmo não estando sozinha. Não percebia, tentava preencher-me deste mundo vazio, minha alma sombria descarrilhava cada vez mais e mais sem brio. Já era o fim mesmo não tendo chegado no final.

Ainda não consigo entender como encontrei a luz, a saída, só sei que encontrei e sou feliz por isto, sou prova viva disto, de que há o tempo certo para tudo. Há tempo de chorar, há tempo de sorrir, há tempo de plantar, há tempo de colher, há tempo de sofrer, há tempo de comprazer e eu escolhi a tempo o tempo de mudar, mudar de lugar, de estado, de caminho, de lado. Não falo sobre as coisas externas mas sobre o que há aqui dentro de mim. Podemos ser prova viva de mudança, de desejo, tornar uma alma criança, mudar todo o desfecho. Que nossa história possa ser eterna, sem ter que contar primavera, escrita nas tábuas internas, pela mão que reverbera. Só depende de nós, do nosso querer e do nosso efetuar. E quando sentimos internamente esta ação, o prazer vai tornando consciente transbordando pelo coração.

 

Por Patricia Campos

A porta do céu

Estava escuro aqui dentro, mesmo que a luz estivesse aqui. Meus olhos secos pelo vento, e meus pensamentos com a sensação do despedir. Não que eu aguardasse a partida, mas sabia que este momento viria. O caminhar com a tristeza era minha lida, e a alegria, nem sabia que existia. Dentre os pedaços desta caminhada, alguns lampejos de sorrisos soltos, sem pretensão, vez em quando uma gargalhada, a qual cessava ao ser engolida pelas ondas do meu mar revolto.

Era triste de me ver, de se ver, do que poderia me acontecer, e ainda pior, no final não viver e perder. Isto não podia acontecer-me. Fui buscar-me em meus escombros, quase que não encontrei-me, entre ilusões e sonhos nesta estrada estagnei-me. Não podia deixar-me ali, parada esperando a morte chegar, vendo o trem da vida partir, e o vazio adentrando meu lar. Voltei-me em passos lentos, com a intenção do transformar, entre a guerra contra o tempo e o desejo do libertar. Corri, atravessei minha porta, vi a luz que estava ali, o anjo que trazia-me respostas. Era o fruto da vida, no meio do meu paraíso, tanto tempo esteve aqui e eu o deixei esquecido. Estremeci feito um vulcão diante a grandeza que enxerguei, minha consciência em erupção, a porta do céu encontrei. Estava diante de mim e vi o quão grandiosa sou, o espelho da vida sem fim, a simetria do grande Eu Sou.

 

Patricia Campos

Pedra no caminho

Foi posto à nossa frente dois caminhos, isto é, o caminho da vida e o caminho da morte. O caminho da vida está neste espírito que Deus nos assentou e o caminho da morte está nesta carne, pois todos nós sabemos que esta carne terá o seu fim. Sei que estou dentro de um propósito e este propósito é de Deus, compreendi exatamente o que devo fazer para que este propósito seja realizado, é tudo dentro de mim mesma e não preciso nem sair do lugar. Enxerguei que na carne sou uma criação e com certeza houve um motivo para que eu fosse criada. Deus me criou na carne somente por causa da consciência que ela produz, pois é nesta consciência que será realizado todo o propósito de Deus. É um caminho racional onde enxerguei as três peças que compõem o quebra cabeça da vida, a carne que é a criação, o espírito que a vivifica e a consciência que é o produto da criação, por ela eu penso, raciocino, formo ideias, ajo e manifesto todas as coisas.

Vi que com esta carne não vou muito longe, pois ela morre e volta ao pó, o espírito é quem me dá a vida, ele é eterno, veio de Deus e voltará a Deus, para eu me eternizar com a vida devo me aliar ao espírito, fazer dele o meu senhor, andar por ele até sair na próxima e definitiva fase da vida, só assim voltarei a Deus com ele e farei parte do corpo de Deus. Descobrir tudo isto é maravilhoso e colocá-lo em prática então, é muito prazeroso e mesmo que apareça algumas pedras no caminho é para me fortalecer, seguir firme sem olhar para trás, estar atenta a tudo para que nada venha me desviar, mas de mãos dadas ao meu senhor sigo firme rumo à terra que o Pai me prometeu.

 

Por Rozivane Pereira

Visão noturna

Tem um ditado que diz que à noite todo gato é pardo e isto é uma verdade, pois a noite nada é tão real quanto à luz do dia. De dia tudo se mostra ser como é, mas a visão noturna é opaca, embaçada, é a língua do eu acho. Em se tratando da razão da vida onde nós só a enxergamos pelo entendimento, isto fica muito claro, jamais uma pessoa que diz “eu acho” dentro de um entendimento, vê as coisas com clareza, pois quem tem certeza do que fala, nunca diz eu acho. E o que mais se ouve falar dentro do propósito de Deus, é “eu acho”. Ninguém diz como Jesus: sei de onde vim, sei para onde vou e enquanto estou no mundo sei o que vim fazer aqui, pois eu sou a luz do mundo. Quem neste mundo sabe de fato e de verdade o que veio fazer aqui? Quem pode dizer isto com certeza, é quem vê exatamente o propósito do Criador Deus.

Até a ciência humana fala de um elo perdido. O que é o elo perdido? A ciência humana não liga o ser humano a razão dele existir, pelo fato de não saber o que o ser humano produz como criação, é o que o ser humano produz como criação que é o elo perdido, pois foi pelo que o ser humano produz que o Criador o criou, este elo perdido esclarece todo o mistério da vida. Alguém sabe de fato o que o ser humano produz como criação e a importância que tem o que ele produz? Porque o nosso Criador precisa do que produzimos como criação? João, o batista, disse: eu não o conhecia, mas para que ele fosse manifestado, vim eu. Dentro deste texto, João quis dizer que produz o que manifesta as coisas, e onde você julga que todas as coisas se manifestam e são? Porventura não é na consciência que o ser humano produz? Sem consciência não há manifestação de nada, isto é, nada é ou não tem importância de que seja sem a consciência de si mesmo.

E ao nos criar, o Criador nos assentou a porção do seu espírito pela vida, é o espírito que nos dá a vida e é deste espírito pelo propósito do Criador que Ele quer que nós produzamos consciência e andemos por ele, como Paulo disse: a lei de Deus se cumpre em nossas consciências que não andamos segundo a carne, mas que andamos segundo o espírito. A consciência que verdadeiramente anda pelo espírito não diz “eu acho” quando se refere ao propósito de Deus, mas ela tem certeza do que fala, pois ela anda na luz e não na noite, e toda consciência que anda na luz sabe de onde saiu, sabe para onde vai e enquanto está no mundo sabe o que veio fazer aqui. Simples assim, como comer uma maçã.

 

Por O teu espírito diz

Encarcerados!

É assim a condição de toda consciência nesse mundo. São cárceres profundos, escuros, que as impedem de ver e sentir a luz, ou o toque da brisa fresca do vento. São calabouços internos que as fazem sangrar, tirando aos poucos o fôlego de vida, que se esvai. São grades de uma prisão instituídas pelas próprias a si mesmas, por ligações, ligações e ligações, apresentadas e oferecidas pelo engano, e para as quais não houve recusa. Já não reconhecem a liberdade pelo fato de estarem ligadas de toda forma ao que as aprisiona, que incorporou e dominou completamente suas consciências. Já não sentem o exalar do perfume inebriante da liberdade. Mas a liberdade continua sendo falada, cantada, poetisada, propagada e seu doce perfume alcançará os olfatos cativos que anseiam e buscam por serem libertos de seus velhos fétidos e sombrios cárceres, para enfim desfrutarem de sua maravilhosa luz. A liberdade derruba grades, quebra correntes, extingue prisões. É a vida encontrada no espírito de Deus, a porção da vida que liberta, liberta…liberta!

Por Loir Xavier