São desculpas
E mais desculpas
Nenhum pedido de desculpa
Afinal, de quem é a culpa?

Fuga de si mesmo
Não quer ver-se no próprio espelho
Há receio
Eis o motivo de tanto rodeio

Não há saída para o desespero
Há só um atalho para o abismo negro
É preciso ser verdadeiro
Para enfrentar seus vários medos

Sem evasivas
Sem escapatória
Ser decidida
Ser alma de nova história

Aqui são faces enganando faces
Um mundo de meio sorrisos
Mas no céu não há disfarce
Apenas olhos cristalinos

Que enxergam além do olhar
A ponto de vislumbrar o íntimo da intenção
Espada que separa céu e mar
Até torná-lo branco ó entranhável coração

Sem manchas
Sem traumas
Sem dores na alma
Sã e salva

A água celeste penetra
E arrasta toda impureza
Quebra correntes, liberta
Dissipa qualquer incerteza

E então vê-se em caminho firme
Onde a palavra é lei
Sentido traz o que se redime
E ouve as ordens do eterno Rei

E ao ouvir Sua voz
Encontrou-se com seu verdadeiro eu
Saindo deste tempo atroz
Deste subterfúgio breu

Por Patricia C.